Complexo de Ave



A pena estrategicamente colocada
Deu asas a um novo pensamento:
Amar é saber dizer adeus.
E o destino sempre soube
Que me deixaste
Sem te despedir.

Do nascer ao sol se pôr, mais tarde,
Nós vamos acenar no cume de uma motanha
Onde os raios dourados
Transpirem saudade.

Que o depois traga o meu beijo
Tragando na tua garganta
As promessas de amor
Das quais nos despedimos.


28 de Setembro, 2008

There's so much oxygen here, that I forgot to breath



Agarra-me
Quando me arrancares do pensamento
Em decadência melodiosa,
Soltando os laços
Que me prendem os pulsos, a ti.

Larga a voz em estalos
De compassos desfeitos
Cujo o ritmo é o bater
Do teu coração,
Tal música sem som...

Recria-me
En sonhos onde procuro escolher
O sorriso que vou usar amanhã
E me lembra
Daquilo
Que
És


22 Setembro, 2008

L'amour Detruit


Os teus olhos envolvem a minha garganta.
Sussurro-te lágrimas ao ouvido,
Imploro para que fiques.

As promessas fogem-me
Dos lábios
Em tom fulgurante e desbotado.
Escolho as imagens ao acaso
Para te relembrar que
O teu sorriso
Ficou preso em mim,
No choro compulsivo
Que se tornou efémero.

Pinturas etéreas e um fluxo de memórias
Ecoam pelo vazio da tua presença.

Já não te posso tocar como dantes
Se a ingenuidade se esvaiu das pontas dos meus dedos;
As minhas veias foram corroídas pelas chamas,
E o detrito do nosso amor
Sustem a minha vida.

03 Setembro, 2008

Not In Rivers, But In Drops



Os impérios do meu desejo
Resumem-se à distância
Que vai da minha dor
Ao teu beijo.
Um narciso, caído
Nos esquadros glaciais
Do teu coração:
Quebram-se cristais.
O teu corpo traduz todo o pecado
A que eu estou submetido
Em silêncio.
Pelo ódio ardente que corre
Dentro do mim,
À mentira que transpassa as palavras
Que me sussurras
Em sonhos.

O nascer do sol nos teus olhos
Prende a minha vontade
De ser livre.


26 Agosto, 2008

He Painted Tears Across The Skyline


Por te amar eu desistia
Do chão.
Se ao menos quando caisse
Me pudesse agarrar a ti.
A insatisfação
Da pele é a principal
Culpada
Das minhas lágrimas
Ou quem sabe
Da ferrugem das correntes
Que me
Prendem.
.O inverno ainda
Não chegou
E já penso em amanhã:
Quero os teus
Braços, tronco, mãos, cabelos, pernas, corpo
Para me aquecer
No frio d'uma fogueira.


Gritar em plenos
Pulmões-vazios
Ao mar, que
Mostra os nossos olhos
Toda a
Melodia dos teus lábios.
E que ele
Morra de inveja.

Eu sei que não
Te tenho.
Restam-me as palavras
Dilaceradas
Do passado
E que as rosas acreditem
Que jamais deixei
De te amar.

22 Agosto, 2008

Mar


A textura dos lábios priva-me de
Te tocar, pele em pele, desejo
Contra desejo.
Rasgado, caído, dilacerado
Por ti,
Que és a faca
De dois gumes que me corta
O peito vazio.
Lágrimas de distância flutuam
No vento, até
Chegarem ao teu corpo, queimarem
A tua carne, alimentarem-se
Do teu sorriso e
Existirem no
Nós que não há.
Quando sei que
Não posso ouvir a tua
Voz ou beber
Do mar, se deambulo
Pelos rios secos. Porque
Somos os beijos
De sangue
E os violinos
Sem som
Do
Nosso
Amor
Morto.


12 Agosto, 2008

Assim


Como podia eu esquecer
As palavras tatuadas
No fundo do ser?
Somos aquilo que existe,
E não fazemos parte
D i s t o;
Afinal dou-me demais
E enterlaço-me
No desespero
De não te sentir.
Porque nós sabemos que
Não podemos abraçar
Quem tem medo de
Ser tocado,
Pelo mesmo caminho aprendemos
Que o pior amor
É aquele que se torna
Um hábito.

17 Agosto, 2008